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A Frequência Fotônica Pleiadiana e a Nova Era do Fóton


sábado, 14 de março de 2015

Físico proeminente comprova que viajar no tempo é possível

A jornada de um cientista através do sofrimento, da vontade, da afirmação e do loop no tempo






O Dr. Ron Mallett é um físico teórico famoso na Universidade de Connecticut, mas ele, um dia, já foi um menino que possuía uma cópia de “A Máquina do Tempo”, de H.G. Wells. O pai de Mallett morreu quando ele tinha 10 anos. Quando ele leu este livro, um ano após a morte, a ideia de viajar no tempo para impedir a morte de seu pai prendeu sua imaginação.

Não era uma fantasia passageira. Ele estudou física na faculdade, com um interesse especial em buracos negros. Ele imaginou que a compreensão sobre buracos negros poderia ajudá-lo a entender a viagem no tempo. Na época, os buracos negros foram considerados “loucura, mas pelo menos eram uma loucura legítima”, disse Mallett; viagem no tempo, por outro lado, era considerada “loucura louca”.

“Eu usava os buracos negros como desculpa”, disse ele com uma risada.

Albert Einstein descreveu o tempo como uma quarta dimensão, e ele disse que o tempo e o espaço são ligados, portanto os físicos falam de espaço-tempo. Diz-se que espaços-tempos fazem curvas e reviravoltas em torno de buracos negros rotativos. Mallett se perguntou se ele poderia reproduzir essas condições aqui na Terra.

Duas coincidências ajudaram-no a descobrir como.

Quando se formou na faculdade, ele queria iniciar sua pesquisa de imediato, mas era uma época de recessão e as faculdades não estavam contratando de imediato. Ele acabou trabalhando com lasers, e aprendendo sobre as suas capacidades de corte para uso industrial. Depois de dois anos neste trabalho, ele conseguiu o emprego que desejava inicialmente na Universidade de Connecticut.

Para entender o progresso de sua pesquisa, é preciso compreender duas teorias de Einstein:

1. De acordo com a Teoria da Relatividade Especial de Einstein, o tempo é afetado pela velocidade. Já foi comprovado em laboratório que as partículas subatômicas podem ser lançadas para o futuro em altas velocidades. Um acelerador foi usado em partículas que acredita-se terem se desintegrado após um determinado período de tempo. As partículas aparecem no futuro, em um estado jovem, sem se desintegrarem da forma como habitualmente acontece. O envelhecimento das partículas diminui à medida que elas aceleram.

2. De acordo com a Teoria Geral da Relatividade de Einstein, o tempo também é afetado pela gravidade. Já foi comprovado que os relógios em satélites em órbita mostram uma ligeira diferença de tempo do que os relógios da Terra, caso eles não sejam ajustados para compensar tal diferença.

O Dr. Mallett sabia que a gravidade poderia afetar o tempo, e que a luz poderia criar gravidade. Ele ponderou e ponderou, e então o seu momento “Eureka” veio. Lasers!

Ele lembrou-se de seu trabalho anterior com lasers, e que um laser em forma de anel cria luz circulatória. Então pensou que “talvez a luz circulatória faça a mesma coisa com a gravidade que um buraco negro em rotação faria”. Ele se perguntou se um laser em forma de anel poderia ser usado para torcer espaços-tempos em um loop, indo do presente ao futuro e de volta ao passado.

Se o laser pudesse criar tal loop, a informação poderia ser enviada para o passado em forma binária. Os nêutrons giram, explicou Mallet. Uma cadeia de nêutrons poderia ser disposta de modo que alguns estejam em cima e outros em baixo, representando 1s e 0s respectivamente, criando assim uma mensagem binária.

Se o Dr. Mallett tivesse encontrado o trabalho de pesquisa que ele queria logo após a faculdade, ele não teria antes trabalhado com lasers e ganhado esse conhecimento que o ajudou tantos anos depois. “Eu tinha alguma coisa no meu currículo que os meus colegas que trabalham nesta área não tinham, então o fato de eu ter essa experiência no meu currículo me levou a esse avanço, que, caso contrário, eu não haveria tido”, disse Dr. Mallett.

Agora, a parte mais difícil: testar esta teoria em equações matemáticas. Foi aí que ocorreu a segunda coincidência. O Dr. Mallett foi diagnosticado com um problema cardíaco pouco antes ter a inspiração para usar lasers em forma de anel para viajar no tempo. Ele estava de licença médica para muitas das suas funções no trabalho.

Sem ter que dar aulas ou desempenhar funções do comitê, ele estava livre para se concentrar totalmente em sua pesquisa.

“Se eu não houvesse tido esse tempo, não sei se eu teria sido capaz de, não só ter o avanço, mas também o tempo para trabalhar com isso”, disse ele.

Ele levou seis meses para provar que a luz circulatória poderia torcer o espaço. Demorou mais dois anos para provar que a torção do espaço também poderia torcer o tempo. Apesar de ter sido um esforço trabalhoso e longo, o Dr. Mallett observou que Einstein levou 10 anos para mostrar que a gravidade afeta o tempo.

“Valeu a pena … realmente ver as equações e ver que elas preveem isso [que é possível viajar no tempo] é uma coisa emocionante,” disse o Dr. Mallett . A próxima emoção veio quando uma revista importante publicou seu primeiro artigo sobre a viagem no tempo.

Com medo, ele apresentou suas descobertas aos peritos da relatividade em uma conferência realizada pela Sociedade Internacional sobre a Relatividade Geral e Gravitação. Ele estava particularmente nervoso para falar sobre a viagem no tempo na frente do Dr. Bryce DeWitt, um proeminente físico que trabalhou com Einstein. O Dr. DeWitt falou logo antes do Dr. Mallett, uma situação difícil de encarar.

No final da apresentação do Dr. Mallett, no entanto, o Dr. DeWitt levantou-se na frente de toda a plateia e disse: “Eu não sei se você vai ter a chance de ver seu pai novamente, mas ele ficaria orgulhoso de você.” Em uma frase curta, anos de trabalho foram validados, suas aspirações foram realizadas e seu propósito inicial foi cumprido. Embora ele tinha sonhado prevenir a morte de seu pai quando criança, ele sente que as descobertas que fez, motivado pela memória de seu pai, são mais que suficientes.

Seu pai era o objeto de grande amor e admiração na vida do jovem Mallett. Sua mãe trabalhava duro para sustentar Mallett e seus três irmãos no bairro Bronx de Nova York. Não foi fácil, especialmente na década de 1950, para ela, uma mulher afrodescendente, ganhar a vida, e a família caiu na pobreza. Ele percebe o quão difícil deve ter sido para ela, que tinha apenas 30 anos de idade na época, perder o marido tão jovem por causa de um ataque do coração, e ter que trabalhar para criar os filhos.

O Dr. Mallett escreveu sobre sua jornada pessoal, bem como a sua descoberta em seu livro, “Time Traveler: A Scientist’s Personal Mission to Make Time Travel a Reality”.

Quanto tempo levará para fazer uma máquina do tempo?

Devemos deixar claro que o Dr. Ron Mallett não está construindo em sua garagem um Delorean e um capacitor de fluxo, como o Dr. Brown, em “De Volta Para o Futuro”. Ele é um físico teórico, não um físico experimental. Isso significa que ele desenvolveu a prova matemática de que a viagem no tempo para o futuro deve funcionar, mas cabe aos físicos experimentais obterem o hardware e construirem a máquina do tempo.

Isso poderia custar cerca de US $ 250.000 só para começar, disse ele. Os US $ 250.000 cobririam o estudo de viabilidade, e o estudo de viabilidade determinaria o quanto a fase experimental custaria.

Doações estão sendo feitas para a Fundação Universidade de Connecticut. “Até agora, cerca de US $ 11.000 em financiamento foram recebidos de um grande número de contribuintes generosos, que variam de US $ 15 a $ 25 de entusiasmados estudantes do ensino médio, para US $ 500 de um jovem casal interessado até US $ 1.000 de um pai em luto”, disse Dr. Mallett.

Questões filosóficas

Se um dia uma máquina do tempo for construída com base no projeto do Dr. Mallett, o que pode acontecer quando a chave for virada? Uma mensagem do futuro poderia aparecer instantaneamente.

A máquina do tempo só seria capaz de enviar informações ao longo da linha do tempo, a partir do momento em que a máquina for ligada pela primeira vez, até o momento em que ela for desligada. Então, se ela permanecer ligada por 100 anos, mensagens binárias podem ser enviadas a qualquer momento dentro desses 100 anos. Alguém do futuro pode saber que a máquina será ativada em uma determinada data e enviar uma mensagem através desse tempo.

Em um documentário da BBC-Discovery Channel que mostrou o trabalho do Dr. Mallett, o narrador disse que com a viagem no tempo “o que está em jogo é nada menos do que o significado de ser um ser humano”.

Se pudéssemos voltar no tempo e corrigir todo o sofrimento do mundo, se pudéssemos voltar atrás e evitar as coisas ruins que acontecem em nossas vidas, como isso impactaria o nosso crescimento pessoal e sabedoria? Que mudanças isto traria à nossa sociedade?

O Dr. Mallett disse que o filme “Time Cop”, estrelado por Jean-Claude Van Damme, explorou bem essa ideia. O personagem de Van Damme foi encarregado de regular a viagem no tempo para que as pessoas não pudessem usá-la para propósitos pessoais. Sua esposa tinha morrido e ele teve que se conter para não voltar para salvá-la.

“Cabe à sociedade decidir como a viagem no tempo será usada, ela não cabe a um indivíduo”, disse o Dr. Mallett. O Grande Colisor de Hádrons, o maior e mais poderoso acelerador de partículas do mundo, é gerido por um consórcio de nações. Ele imagina que uma máquina do tempo seria controlada de um modo semelhante. Ele não imagina que máquinas do tempo se tornarão mais comuns do que os reatores nucleares. As pessoas não terão máquinas do tempo em seus quintais para uso casual.

Para o Dr. Mallett, o melhor uso da viagem no tempo seria para alertar as pessoas sobre desastres naturais, para evitar, por exemplo, as milhares de mortes causadas por tsunamis e furacões.


Uma ilustração conceitual de como uma máquina do tempo poderia parecer. Os lasers criariam um movimento circular de luz, dobrando o espaço-tempo dentro da máquina (Screenshot de filmagem no laboratório do Professor Chandra Roychoudhuri, cortesia do Dr. Ron Mallett)
Uma ilustração conceitual de como uma máquina do tempo poderia parecer. Os lasers criariam um movimento circular de luz, dobrando o espaço-tempo dentro da máquina (Screenshot de filmagem no laboratório do Professor Chandra Roychoudhuri, cortesia do Dr. Ron Mallett)

O Dr. Mallett escreveu sobre sua jornada pessoal, bem como a sua descoberta em seu livro, “Time Traveler: A Scientist’s Personal Mission to Make Time Travel a Reality”.

Leia também:
• Físico evidencia que intenção humana existe fisicamente
• O tempo é uma ilusão?
• Seis invenções ancestrais que desafiam o conhecimento atual







Arqueólogos encontram no Egito o túmulo do guardião da porta do deus Amon 





Uma equipe de arqueólogos norte-americanos encontrou um túmulo milenar, por acaso, enquanto fazia escavações na região de Al Qama, em Luxor, no Egito. Depois de analisar a incrível descoberta, os especialistas concluíram que se trata da tumba de Amenhotep, um servo do Império Novo, que cumpria a função de guardião do deus Amon.
A sepultura, de 3 mil anos de idade, tem o formato de um T, mede 5,1 m de altura x 1,5 m de largura, possui dois cômodos, uma pequena edícula, um corredor de 2,5 m de comprimento, uma sala principal e outra sala lateral, além de um cubículo de 2 m quadrados com um poço ao centro. Nos muros do labirinto, é possível ver imagens de Amenhotep ao lado de sua esposa, em frente a uma mesa de oferendas, uma divindade amamentando um menino da família real e cenas do dia a dia do Antigo Egito. Também há indícios de que o túmulo teria sido alvo de uma destruição ordenada pelo faraó Aquenáton, pois há diversos nomes apagados e obras destruídas. Foi ele quem acabou com a antiga religião e promoveu o monoteísmo.
Para continuar aprofundando seu conhecimento a respeito daquela época conflituosa e transcendental, a equipe de pesquisadores vai sondar a tumba, para determinar se ela compartilhava o terreno com uma tumba próxima. Em seguida, ela será restaurada e aberta ao público.

Fonte: Terrae Antiqvae


Alienígenas causaram uma guerra nuclear em Marte, 

afirma físico

Um PhD em Física Teórica dos Plasmas afirma que a vida em Marte pode ter sido destruída em uma guerra nuclear.

Dr. John Brandenburg, formado pela Universidade da Califórnia, afirma que Marte abrigava duas civilizações diferentes de alienígenas humanóides chamadas Cydonia e Utopia.

“Dois grandes desastres aconteceram em Marte”, disse Brandenburg para o canal Vice. “Um aqui (apontando em um mapa da superfície de Marte), e, em seguida, um impacto de asteroide aconteceu aqui, e Cydonia se encontrava bem entre estes locais. Isso é intrigante. Por que tantas coisas ruins ocorreram nesta área de Marte que possui resquícios arqueológicos?”.

Essas afirmações foram feitas por volta do ano de 2011, mas o Dr. Brandenburg irá apresentar uma nova pesquisa durante o encontro da Sociedade Americana de Física (APS), que ocorrerá nas próximas semanas. Ele também vai publicar suas descobertas na revista ‘Journal of Cosmology and Astrophysics’.

Ele escreve: “A alta concentração de Xenon-129 na atmosfera, a evidência de Krypton-80 e o padrão detectado de abundância em excesso de urânio e tório na superfície de Marte, quando comparado aos meteoritos do planeta, estas leituras que foram obtidas primeiramente pelos russos e agora foram confirmadas pelo espectrômetro de raios gama da Nave Espacial Odisseia, apontam que a superfície de Marte foi aparentemente o palco de eventos radiológicos de grande escala, que criou grandes quantidades de isótopos e cobriu a superfície com uma fina camada de detritos radioativos que foram enriquecidos em certos elementos relacionados às rochas do subsolo.”

“Esse padrão de fenômenos pode ser explicado como derivado de duas grandes explosões nucleares anômalas que ocorreram em Marte no passado.”

Brandenburg também irá usar fotos tiradas pela Sonda Curiosity para sustentar suas alegações.

“Devido à grande quantidade de isótopos nucleares na atmosfera de Marte, o que se assemelha aos locais onde ocorreram testes de bombas de hidrogênio aqui na Terra, Marte pode ser um exemplo de civilização que foi dizimada por um ataque nuclear vindo do espaço”, disse ele ao Vice.

“É possível que o Paradoxo de Fermi signifique que o nosso ambiente interestelar contenha uma certa rivalidade contra civilizações jovens e ruidosas, a exemplo da nossa”, disse ele.

“Essas forças hostis poderiam ser algo como uma AI (Inteligência Artificial) alienígena, que possuem desavenças contra seres de “carne e sangue”, como ocorre no filme ‘Exterminador do Futuro’. Como também poderia se tratar de algo tristemente familiar para nós, como o Governador Tarkin de ‘Star Wars’, um estúpido burocrata humanoide, ansioso para destruir o planeta Alderann a fim de servir de exemplo para outros mundos”.




Já ouviu falar sobre aberturas que foram 
descobertas no Antárctico?


Pois então, veja com seus próprios olhos !!
A primeira abertura está localizada nas seguintes coordenadas : 66 33` 11.58``S e 99 50`17.86``E.
E a segunda abertura localizada em : 66 36` 12.58``S e 99 43` 12.72``E
Observe que a entrada é composta por uma espécie de proteção feita de um tipo de material totalmente diferente do material rochoso ao seu redor. Isto sugere claramente, que estamos perante uma entrada construída artificialmente.
Existem histórias sobre bases secretas americanas ou mesmo nazistas, que teriam sido construídas nesses locais remotos, não se sabendo ao certo com que propósito.
O pouco que se sabe é que, antes de 23 de Fevereiro de 2006, não existiam ou estariam cobertas pelo gelo aí existente conforme mostra a imagem abaixo.
À esquerda podemos ver a abertura coberta e a direita, totalmente descoberta.



Você se acha grande e importante? 

Então veja isso! E tenha a percepção de como somos tão insignificantes perante a vastidão do universo. pois tenha sim, a humildade de diminuir o seu ego. Somos tudo, pois também, não somos nada.

Gilgamesh ou Enlil? Na verdade é a mesma pessoa! O mito só muda de um lugar para o outro.




Enquanto na Síria era Gilgamesh, na Suméria era Enlil, a personificação do simbolismo, aquele que veio do sol, o deus sol, o deus leão.




O leão de Judá, Um dos irmãos Anunnakis. Enlil usava como sendo o seu símbolo, leões, enquanto seu irmão Enki, utiliza o touro. Seria coincidência os dois serem reconhecidos com sendo deus e o diabo pelos homens primitivos da época?
Tudo indica que não! Pois há registros histórico sobre as duas versões do mito.



Gilgamesh, ou o Espírito do Leão. relevo em pedra, do século Vlll a.e.c., Síria. Os contos antigos de Gilgamesh referem que ele era capaz de matar leões com as mãos nuas e destruir exércitos inteiros com a sua habilidade guerreira.


“O passado das civilizações nada mais é que a história dos empréstimos que elas fizeram umas às outras ao longo dos séculos ...”


1. Da “corrida ao ouro bíblico” à nova historicidade das sagradas escrituras.

Em meados do século XIX, após a descoberta na antiga cidade de Nínive da biblioteca do imperador assírio Assurbanípal (668-627 a.C.), o mundo redescobriu as antigas grandes civilizações da Mesopotâmia em tábuas de argila contendo escritos em sinais mais tarde denominados cuneiformes. Civilizações estas de que até então, o pouco que se conhecia estava contido nos livros da Bíblia, em informações “escassas e pouco reveladoras, uma vez que estavam diretamente relacionadas com a história do povo hebreu”.(CORREA, 200-, p. 2).

Tais descobertas deram início a uma espécie de “corrida ao ouro bíblico” que propunha evidenciar arqueológicamente as sagradas escrituras. Outras ruínas então, como as de Uruk, Ur e Nipur, começaram ser escavadas e revelaram mais inscrições sobre o passado do Oriente Próximo.

Detalhe das escavações em Ur
O trabalho de decifração destas tábuas foi realizado por vários pesquisadores, mas coube ao arqueólogo britânico George Smith, a primeira tradução contendo um trecho da Epopéia de Gilgamesh: o relato do dilúvio. Em 1872, Smith anuncia sua descoberta1 em um encontro da Sociedade de Arqueologia Bíblica causando um “forte impacto na Europa (...) por apresentar um texto pagão aparentemente antecipando a Arca de Noé”.(CORREA, 200-, p. 2).

Tábua IX da Epopéia do Dilúvio
Estas descobertas abalaram toda a comunidade científica e religiosa do século XIX, laicizando muitos dos objetivos iniciais, modificando métodos dos pesquisadores, e abrindo precedentes para o questionamento da veracidade dos textos bíblicos. 
Nas últimas quatro décadas, diferentes estudos estão sendo realizados sobre os temas levantados no século XIX, tanto pela comunidade científica como em grande parte pela comunidade religiosa, fazendo com que sejam discutidos os elementos mitológicos presentes na confecção dos livros que compõe o Pentateuco2, que vão desde a formação do mundo à existência histórica dos seus patriarcas.

Há uma tentativa, nos dias atuais, por parte de arqueólogos e historiadores de remontar a bíblia separando o que é história do que são mitos e lendas.

"Apesar das paixões suscitadas por este tema, nós acreditamos que uma reavaliação dos achados das escavações mais antigas e as contínuas descobertas feitas pelas novas escavações deixaram claro que os estudiosos devem agora abordar os problemas das origens bíblicas e da antiga sociedade israelita de uma nova perspectiva, completamente diferente da anterior. (…) A história do antigo Israel e o nascimento de suas escrituras sagradas a partir de uma nova perspectiva, uma perspectiva arqueológica.” (FINKELSTEIN; SILBERMAN, 2001, pp. V-VI, p. 1).

2. Da teogonia à teofania.


Paralelamente às discussões bíblicas, as descobertas feitas pelas escavações remontam os três milênios que antecedem à Cristo, onde a região entre os rio Tigre e Eufrates viu a ascensão e queda de grandes civilizações como os sumérios, acádios, assírios e babilônicos.

Dos textos traduzidos, vários deles incompletos devido ao estado de conservação dos mesmos, pôde-se extrair muito da filosofia e da mitologia mesopotâmicas, onde podemos observar que “o Oriente antigo, antes da Bíblia, e mesmo abstraindo-se dela, não desconhecia a reflexão sobre o homem. (...) As questões fundamentais da existência, da felicidade e da infelicidade, da relação com as potências cósmicas e com o domínio misterioso dos deuses, do sentido da vida e das incertezas do destino, já tinham neles um lugar de grande importância”.(GRELOT, 1980, p. 13).

Neste universo de descobertas, os sumérios e os acadianos revelam-se fornecedores de costumes, rituais e modelos literários a todos os povos do Oriente Médio3. Suas lendas, se consideradas como o primeiro repositório das recordações históricas dos povos do oriente antigo, “se transformaram, se esquematizaram, se reagruparam, mudaram eventualmente de país, se ampliaram, às vezes, desmedidamente” (GRELOT, 1980, p. 13), onde cada cultura apropriou-se de um mito conforme a sua ótica4.
           
Não diferente desta regra, os israelitas inovaram ao excluir todo um panteão, centralizando sua fé num deus único, propondo uma desmitização do universo transformando as forças cósmicas ao que de fato são. A situação do homem diante de Deus modifica-se totalmente, “embora, na prática, a adaptação da mentalidade corrente dos israelitas a essa mudança radical se tenha processado lentamente e com dificuldade” (GRELOT, 1980, p. 15), mantendo grande parte do antigo modo de expressar religioso herdado dos sumérios e acádios.

Desta forma, Israel começa a escrever sua própria história, ora compilando fatos de seu próprio povo em grandiosas lendas, ora adaptando mitos antigos à sua realidade e aos seus propósitos. As histórias contidas na parte hebraica da bíblia, embora difíceis de serem datadas pelos anacronismos que ali apresentam5, foram compiladas e ordenadas “principalmente, no tempo do rei Josias (640-609 a.C.), para oferecer uma legitimação ideológica para ambições políticas e reformas religiosas específicas”.(FINKELSTEIN; SILBERMAN, 2001, p. 14).

3. A Epopéia de Gilgamesh e sua influência sobre demais literaturas do mundo antigo.


Considerada a mais antiga obra literária da humanidade, a Epopéia de Gilgamesh na sua forma “tardia” (século VII a.C.) como é difundida no Ocidente (TIGAY6 citado por ZILBERMAN (1998, p. 58)), não foge à regra das obras de origens mesopotâmicas: um compilado de lendas e poemas, cuja origem e veracidade perdem-se na difusão oral, adaptação cultural e textos fragmentados.

As narrativas contidas na epopéia deviam ser muito populares em sua época, pois são encontradas em várias versões escritas por vários povos e línguas diferentes, sendo que as primeiras versões da mesma, datam do Período Babilônico Antigo (2000-1600 a.C.), podendo ter surgido muito antes7, pois o herói desta epopéia é o lendário rei sumério Gilgamesh, quinto rei da primeira dinastia pós-diluviana de Uruk, que teria vivido no período protodinástico II (2750-2600 a.C.)8.

Devido à sua antiguidade e originalidade, muito se especula sobre a influência desta sobre textos mais difundidos e conhecidos pela humanidade, como os poemas épicos gregos Ilíada e Odisséia de Homero, escritos entre VIII e VII a.C.. Mas a polêmica é maior quando se comparados às narrativas do Pentateuco, a parte mais antiga do Velho Testamento, datadas do Primeiro Milênio a.C.. No caso desta última, o que legitima-nos a observar as influências, além de semelhanças impressionantes, o próprio contexto histórico e geográfico. Contexto este em que a origem dos hebreus e das grandes civilizações semitas são mescladas com a própria história do povo sumério. Históricos períodos de cativeiro, onde a aculturação era, além de inevitável pelas circunstâncias de sobrevivência, uma forma de dominação ideológica:

Representação de Gilgamesh
“O povo dominado era absorvido pelos nativos ao serem levados, havia a destruição total da nacionalidade, do culto, das instituições, nada ficando que pudesse ser lembrado a fim de que jamais alguém se encorajasse a agir em favor de uma reconstrução. Todo o elemento que representasse qualquer valor moral ou intelectual era desterrado e em seu lugar era posto outro povo trazido de outras regiões.” (LOPES, 200-, p. 2). 

4. A semelhança entre as narrações.




As semelhanças narrativas encontradas entre Epopéia de Gilgamesh e o Livro do Gênesis iniciam-se logo nos primeiros versículos da bíblia, ou seja, na criação do homem. O povo de Uruk, descontente com a arrogância e luxúria do rei Gilgamesh, exige dos seus deuses a criação de um homem que fosse o reflexo do rei, e tão poderoso quanto ele para que pudesse enfrentá-lo e redimi-lo. O deus Anu, ouvindo o lamento da população, ordenou a Aruru, deusa da criação, que fizesse Enkidu:

“A deusa então concebeu em sua mente uma imagem cuja essência era a mesma de Anu, o deus do firmamento. Ela mergulhou as mãos na água e tomou um pedaço de barro; ela o deixou cair na selva, e assim foi criado o nobre Enkidu”.(SANDARS, 1992, p. 94).

“Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança”.(GENESIS, cap. 1, ver. 26).

“Então formou o Senhor Deus ao homem do pó da terra, e lhe soprou nas narinas o fôlego de vida, e o homem passou a ser alma vivente”.(GENESIS, cap. 2, ver. 7). 

Enkidu foi criado inocente, longe da malícia da civilização, vivendo entre as criaturas selvagens e compartilhando a natureza com elas: 

“Ele era inocente a respeito do homem e nada conhecia do cultivo da terra. Enkidu comia grama nas colinas junto com as gazelas e rondava os poços de água com os animais da floresta; junto com os rebanhos de animais de caça, ele se alegrava com a água”.(SANDARS, 1992, p. 94).

“Eis que vos tenho dado todas as ervas que dão semente e se acham na superfície de toda a terra, e todas as árvores em que há fruto que dê semente; isso vos será para mantimento. E a todos os animais da terra e a todas as aves dos céus e a todos os répteis da terra, em que há fôlego de vida, toda erva verde lhes será para mantimento”. (GENESIS, cap. 1, ver. 29-30). 

O rei Gilgamesh, sabendo da existência de Enkidu, incube uma missão a uma das prostitutas sagradas do templo da deusa Ishtar (deusa do amor e da fertilidade): seduzir Enkidu e trazê-lo para dentro das muralhas de Uruk. Enkidu deixou-se seduzir pela rameira e perdeu sua inocência, além de seu poder selvagem, tornando-se conhecedor da malícia do homem. Arrependido, lamenta-se, mas a rameira consola-o enfatizando as vantagens desta nova vida que está por vir: 

“Enkidu perdera sua força pois agora tinha o conhecimento dentro de si, e os pensamentos do homem ocupavam seu coração”.(SANDARS, 1992, p. 96).

“Olho para ti e vejo que agora és como um deus. Por que anseias por voltar a correr pelos campos como as feras do mato?” (SANDARS, 1992, p. 99).
                       
“Porque Deus sabe que no dia em que comerdes se vos abrirão os olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal.” (GENESIS, cap. 2, ver. 5). 

Nesta comparação com a tentação no Éden, não identificamos diretamente os fatos, mas sim, as idéias. A prostituta sagrada, condenada também em outros livros da bíblia, pode ser compilada como o fruto proibido, a serpente e a própria Eva, com o poder de seduzir o homem e tirar sua inocência com falsas promessas.


Representação de Gilgamesh e Enkidu

Enkidu, já na cidade de Uruk, enfrenta o rei Gilgamesh em combate. Vencendo-o, é reconhecido pelo rei como irmão, pois este jamais havia enfrentado alguém com tamanha força. Formando-se então uma grande amizade que protagoniza grandes aventuras e tragédias ao longo da epopéia.

Gilgamesh e Enkidu partiram então para a floresta de cedros (provavelmente, o atual Líbano), onde enfrentaram o monstro Humbaba, a sentinela da floresta.
Este se irrita com Enkidu, por profanar a floresta sagrada dos cedros inferiorizando-o e humilhando-o com palavras semelhantes às palavras de Deus, ao condenar o homem por comer do fruto proibido. Novamente não vemos relação direta entre os fatos, mas uma linha comum de pensamento é verificada entre os textos onde, a profanação e a desobediência são punidas com a servidão:

“… tu, um mercenário, que depende do trabalho para obter teu pão!” (SANDARS, 1992, p. 119).

“… maldita é a terra por tua causa: em fadigas obterás dela o sustento durante os dias da tua vida”.(GENESIS, cap. 3, ver. 16).

“No suor do teu rosto comerás o teu pão, até que tornes à terra, pois dela foste formado”.(GENESIS, cap. 3, ver. 19).

Os heróis, com a ajuda de Shamash (deus sol, protetor de Gilgamesh), matam o monstro Humbaba cortando-lhe a cabeça. Fato que irritou o poderoso Enlil (deus da terra, do vento e do ar universal), que exigiu a vida de um dos heróis pelo insulto.

A deusa Ishtar, vendo a força e beleza do herói, apaixona-se por Gilgamesh que a despreza, provocando a cólera da deusa. Então, Ishtar enviou a terra, um monstro com a missão de destruir o herói: o Touro Celeste. Mas a dupla de heróis novamente é vitoriosa. Então, Enkidu zomba da deusa derrotada atirando-lhe pedaços do touro mutilado. Enlil enfurecido com a atitude do mortal decide enfim qual dos dois heróis deverá morrer. Enkidu então adoece e, sucumbindo à doença, impulsiona o rei Gilgamesh a sua missão final: a busca da imortalidade.

A primeira semelhança encontrada pelos tradutores das tábuas em escrita cuneiforme é a mais impressionante. Foi a mola propulsora de toda a discussão sobre a veracidade dos textos bíblicos, pois a descrição do dilúvio não só é a mais bem conservada tábua de toda a epopéia, mas a mais rica em detalhes e semelhanças com a descrição no Gênesis. Além de que, outras narrativas do dilúvio foram encontradas em forma de poemas isolados e com outros personagens, como as tábuas de Atra-Hasis, a Epopéia de Erra, e os textos do rei Ziusudra9.

Na epopéia, Gilgamesh parte em busca da imortalidade, e para isso, precisa obter este segredo dos deuses com o imortal Utnapishtim (Noé do Gênesis). Para encontrar o imortal, Gilgamesh enfrentou uma longa jornada, cheia de perigos e provações. Ao encontrar Utnapishtim, ouve que este não poderá lhe tornar imortal, mas poderá revelar ao herói como se tornara um e conta do dia em que os deuses, desgostosos com a sua criação (a humanidade), resolveram eliminá-la da terra:

“Naqueles dias a terra fervilhava, os homens multiplicavam-se e o mundo bramia como um touro selvagem. Este tumulto despertou o grande deus. Enlil ouviu o alvoroço e disse aos deuses reunidos em conselho: ‘O alvoroço dos humanos é intolerável, e o sono já não é mais possível por causa da balbúrdia.’ Os deuses então concordaram em exterminar a raça humana”.(SANDARS, 1992, p. 149).
“Viu o Senhor que a maldade do homem se havia multiplicado na terra, e que era continuamente mau todo desígnio do seu coração”.(GENESIS, cap. 6, ver. 5).

“A terra estava corrompida à vista de Deus, e cheia de violência”.(GENESIS, cap. 6, ver 11). 

“Farei desaparecer da face da terra o homem que criei, o homem e o animal, os répteis, e as aves do céu; porque me arrependo de os haver feito”.(GENESIS, cap. 6, ver 7). 

Ea (deus da água doce e da sabedoria, patrono das artes e protetor da humanidade), avisa Utnapishtim em um sonho das intenções de Enlil e orienta-o de como sobreviver à catástrofe que estaria por vir:

“... põe abaixo tua casa e constrói um barco. Abandona tuas posses e busca tua vida preservar; despreza os bens materiais e busca tua alma salvar. Põe abaixo tua casa, eu te digo, e constrói um barco. Eis as medidas da embarcação que deverás construir: que a boca extrema da nave tenha o mesmo tamanho que seu comprimento, que seu convés seja coberto, tal como a abóbada celeste cobre o abismo; leva então para o barco a semente de todas as criaturas vivas. (...) Eu carreguei o interior da nave com tudo o que eu tinha de ouro e de coisas vivas: minha família, meus parentes, os animais do campo – os domesticados e os selvagens – e todos os artesãos”.(SANDARS, 1992, p. 149-151).

“Faze uma arca de tábuas de cipreste; nela farás compartimentos, e a calafetarás com betume por dentro e por fora. Deste modo a farás: de trezentos côvados será o comprimento, de cinqüenta a largura, e a altura de trinta. Farás ao seu redor uma abertura de um côvado de alto; a porta da arca colocarás lateralmente; farás pavimentos na arca: um em baixo, um segundo e um terceiro”. (GENESIS, cap. 6, ver 14-16). 

“… entrarás na arca, tu e teus filhos, e tua mulher, e as mulheres de teus filhos. De tudo o que vive, de toda carne, dois de cada espécie, macho e fêmea, farás entrar na arca, para os conservares contigo”.(GENESIS, cap. 6, ver. 18). 

            Enlil então envia uma tempestade de grandiosas proporções, fazendo com que toda a terra desaparecesse sobre as águas: 

“Caiu a noite e o cavaleiro da tempestade mandou a chuva.(...) Por seis dias e seis noites os ventos sopraram; enxurradas, inundações e torrentes assolaram o mundo; a tempestade e o dilúvio explodiam em fúria como dois exércitos em guerra.” (SANDARS, 1992, p. 151-153).

“… nesse dia romperam-se todas as fontes do grande abismo, e as portas do céu se abriram, e houve copiosa chuva sobre a terra durante quarenta dias e quarenta noites”.(GENESIS, cap. 7, ver. 11-12). 

 E toda a humanidade foi exterminada:

“… agora eles (humanos) flutuam no oceano como ovas de peixe”. (SANDARS, 1992, p. 152).
“Assim foram exterminados todos os serem que havia sobre a face da terra …” (GENESIS, cap. 7, ver. 23).           
    
 Com o passar dos dias, a tempestade ameniza-se e o dilúvio começa a serenar:

“Na alvorada do sétimo dia o temporal vindo do sul amainou; os mares se acalmaram, o dilúvio serenou”.(SANDARS, 1992, p. 153).
“Deus fez soprar um vento sobre a terra e baixaram as águas. Fecharam-se as fontes do abismo e também as comportas dos céus, e a copiosa chuva do céu se deteve”. (GENESIS, cap. 8, ver. 1-2). 

Após a calmaria do grande oceano que se formara, Utnapishtim solta uma pomba para ver se há terra firme para que então possa desembarcar: 

“Na alvorada do sétimo dia eu soltei uma pomba e deixei que se fosse. Ela voou para longe; mas, não encontrando lugar para pousar, retornou. Então soltei uma andorinha, que voou para longe; mas, não encontrando lugar para pousar, retornou. Então soltei um corvo. A ave viu que as águas haviam abaixado; ela comeu, voou de uma lado para outro, grasnou e não mais voltou para o barco”.(SANDARS, 1992, p. 153).

“Ao cabo de quarenta dias, abriu Noé a janela que fizera na arca, e soltou um corvo, o qual, tendo saído, ia e voltava, até que se secaram as águas sobre a terra. Depois soltou uma pomba para ver se as águas teriam já minguado da superfície da terra; mas a pomba, não achando onde pousar o pé, tornou a ele para a arca; porque as águas cobriam ainda a terra. Noé, estendendo a mão, tomou-a e a recolheu consigo na arca. Esperou ainda outros sete dias, e de novo soltou a pomba for a da arca. A tarde ela voltou a ele; trazia no bico uma folha nova de oliveira; assim entendeu Noé que as águas tinham minguado de sobre a terra. Então esperou ainda mais sete dias, e soltou a pomba; ela, porém, já não tornou a ele”.(GENESIS, cap. 8, ver. 6-12).           

 Após a bonança, já em terra firme e grato ao deus Ea por ter lhe salvo a vida, Utnapishtim prepara um sacrifício aos deuses:

“Eu então abri todas as portas e janelas, expondo a nave aos quatro ventos. Preparei um sacrifício e derramei vinho sobre o topo da montanha em oferenda aos deuses”.(SANDARS, 1992, p. 153).

“Então Noé removeu a cobertura da arca, e olhou, e eis que o solo estava enxuto”.(GENESIS, cap. 8, ver 13).

“Levantou Noé um altar ao Senhor, e, tomando de animais limpos e de aves limpas, ofereceu holocaustos sobre o altar”.(GENESIS, cap 9, ver 20). 

Enlil, furioso com Ea por ter permitido que um humano sobrevivesse e conhecendo o segredo dos deuses, viu-se sem alternativa que não a de transformar Utnapishtim em um imortal, para que sua maldição de que nenhum mortal sobrevivesse se completasse.

 Gilgamesh desapontado por não ter tido sucesso em busca da imortalidade, prepara seu retorno para Uruk, mas é abordado pela esposa de Utnapishtim que, compadecida com o fracasso do herói, revela-lhe o segredo da imortalidade em que, nas profundezas do mar, havia uma planta maravilhosa, e quem a comesse, seria eternamente jovem. O herói então mergulha no mar profundo, ferindo-se, mas obtendo a tão desejado segredo.

Tomado de rara compaixão, Gilgamesh decide não comer sozinho o maravilhoso fruto, mas sim dividi-lo com os anciãos da cidade de Uruk. No retorno para casa, Gilgamesh é surpreendido por uma serpente marinha que lhe rouba a flor, perdendo para sempre o segredo da imortalidade: 

“Se conseguires pegá-la (a planta sagrada), terás então em teu poder aquilo que restaura ao homem sua juventude perdida. (…) Vem ver esta maravilhosa planta. Suas virtudes podem devolver ao homem toda a sua força perdida. (...) mas nas profundezas do poço havia uma serpente, e a serpente sentiu o doce cheiro que emanava da flor. Ela saiu da água e a arrebatou”.(SANDARS, 1992, p. 160). 

Apesar dos fins da ação de comer o fruto sejam diferentes (a morte e a imortalidade), podemos fazer uma analogia da função da serpente em roubar a imortalidade do homem: sendo tirando-lhe a oportunidade da vida eterna pela sua obtenção, como na Epopéia de Gilgamesh; sendo condenando-lhe a morte pela cessão do fruto ao homem, como no livro do Gênesis. Gilgamesh então ficou desolado e abatido, pois além de fracassar em sua missão, perdera para sempre o irmão Enkidu, restando-lhe apenas, melancolicamente esperar o dia de sua morte chegar.

No livro do Gênesis, não encontramos somente semelhanças com a Epopéia de Gilgamesh, mas com outros textos antigos, como o sumeriano Mito de Dilmum onde o deus Enki, o senhor das águas profundas e do abismo que suporta a terra; e Nintu, a virgem pura, deusa que presidia aos partos; habitavam sozinhos num mundo cheio de delícias sem que nada existisse além do par divino, caracterizando uma descrição muito semelhante do que seria e onde seria o jardim Éden:           

“E plantou o Senhor Deus um jardim no Éden, da banda do Oriente, e pôs nele o homem que havia formado. (...) E saía um rio do Éden para regar o jardim, e dali se dividia, repartindo-se em quatro braços. (...) O nome do terceiro rio é Tigre; é o que corre pelo oriente da Assíria. E o quarto é o Eufrates”. (GENESIS, cap. 2, ver. 8-14).

5. Considerações finais.




É impossível afirmar a influência direta da Epopéia de Gilgamesh sobre a escrita do livro do Gênesis, pois tanto um como o outro poderiam ter sido influenciados por histórias ainda mais antigas e difundidas no Oriente, ao mesmo tempo em que é inegável que o mundo situado entre o Mediterrâneo e os Montes Zargos, onde havia intensa circulação de mercadores de diferentes etnias e religiões variadas, era pequeno demais para descartar qualquer influência cultural entre eles.

Os hebreus, possivelmente muito antes de seus períodos de cativeiro na Babilônia e Assíria, já tiveram contato com as lendas e mitos sumério-acadianos e que por várias razões, os utilizaram na formulação de suas próprias lendas, o que sugere que seu deus, Jeová, toma por empréstimo características de deuses como Anu, Enlil e Ea, seja criando a terra e o homem, seja julgando-os por seus atos, seja compadecendo-se de seu povo e os protegendo.

Acreditamos ser impossível obter conclusões definitivas sobre as influências de um texto sobre o outro, ou principalmente, da formação de um pensamento religioso sem a existência do pensamento antecessor, sem que se faça juízo de valores como é recomendado a um historiador, mas ao se estudar o contexto em que o Gênesis é idealizado e escrito, tomando aqui, palavras de Finkelstein e Silberman, observa-se que "a saga histórica contida na Bíblia (...) não foi uma revelação miraculosa, mas um brilhante produto da imaginação humana”.10






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